A Importância da (boa) Educação Física e Desporto Escolar

“Em Educação Física não fazer a tempo as coisas necessárias ao desenvolvimento individual e social da nossa juventude representa uma perda de oportunidade que dificilmente será recuperada” (Teotónio Lima, 1990)

É por demais evidente que a condição física da nossa juventude escolar é deficiente. Como tal, haverá que definir estratégias no sentido de superar essas deficiências.
Quanto a mim os aspectos mais importantes, no que respeita aos objectivos a alcançar terão que passar sempre:

1. Pelo desenvolvimento das qualidades físicas/condicionais e pela prevenção no combate à obesidade.

2. Influenciar os hábitos da juventude, por forma a que a prática de atividades físicas e desportivas seja mais tarde, e ao longo da vida, aspeto importante do dia a dia.

Relativamente ao 1º objetivo, e, no presente ano letivo, está fortemente comprometido por todas as restrições a que a Educação Física e o Desporto Escolar têm sido sujeitas por orientações, muitas delas incoerentes e desajustadas por parte da DGS, infelizmente, supervalorizadas pelas direções das escolas e alguns encarregados de educação. Ao longo dos anos, tem vindo a ser provado cientificamente, os benefícios que a melhoria da Aptidão Física provoca na melhoria do sistema imunitário, na produtividade e na felicidade dos jovens. Por isso é, para mim, extremamente difícil entender que tenha sido subtraída uma aula prática, semanal na disciplina de Educação Física e tenham sido proibidas todas as competições desportivas do desporto escolar, em todas as modalidades e em todos os escalões sub-18. A maior pandemia deste séc. não é o Covid-19 mas sim a Diabetes do tipo II. Nos últimos 5 anos, o número de novos casos registaram um aumento de 118% e isso deveria de facto ser preocupante sob o ponto de vista económico e de saúde pública. O esforço desenvolvido pelos alunos no decurso das aulas e na prática desportiva no que respeita à intensidade, duração e frequência da carga constitui, sem dúvida, a melhor forma de prevenção da obesidade e das diabetes. Ao ignorarmos esta realidade e continuarmos a sermos reféns do vírus como se perspetivará esta realidade nos próximos 5 anos? Estará a haver a necessária adaptação no que respeita a uma alimentação mais saudável uma vez que o exercício físico está cada vez mais condicionado? Os encarregados de educação estarão a ser devidamente sensibilizados sobre esta temática? Em todas as idades existem períodos críticos de desenvolvimento de capacidades específicas através de estimulações nas áreas das qualidades condicionais e coordenativas e a este nível, com estas proibições/limitações estas situações ainda mais se irão acentuar.

Está na hora dos responsáveis corrigirem os erros. Na prática desportiva adquirem-se valores e ganham-se competências que, em momento algum, devam ser desvalorizadas ou minimizadas.
A reflexão e posterior tomada de decisão deverá ser como olhar para os pratos de uma balança e ver qual o que nos trará maiores benefícios.
Eu não tenho dúvidas…
A melhoria da aptidão cardio-respiratória, da força muscular e coordenação neuro-muscular só são conseguidos com uma elevação da quantidade e intensidade dos estímulos. Para que isso aconteça, o professor deve maximizar o tempo potencial de aprendizagem, isto é, o tempo que os alunos passam empenhados na exercitação de tarefas e reduzir ao mínimo o tempo de organização e gestão da aula.
O aumento da carga, torna-se assim, uma necessidade imperiosa, como via fundamental para a melhoria das prestações nas várias actividades propostas e que fazem parte dos programas.
Embora o desenvolvimento da condição física dos alunos não seja um dos objectivos primordiais do programa da disciplina, defendo que o seu carácter fisiológico deva estar sempre presente.
Assim, não concebo a educação física, no ensino secundário, sem um trabalho assente no desenvolvimento multilateral e equilibrado da musculatura com uma orientação principalmente dirigida para a força rápida; sem se trabalhar e desenvolver a velocidade em todas as formas de manifestação; sem trabalhar uma mobilidade funcional (flexibilidade) através de exercícios activos; sem trabalhar a resistência de forma a diminuir o tempo de recuperação e melhorando a economia de prestação motora (frequência cardíaca com valores oscilando entre as 140-160 pulsações).
Quanto ao 2º objectivo, fazer com que os alunos se encontrem sempre motivados nas aulas e que criem hábitos de prática desportiva no futuro, ao professor exige-se qualidades imprescindíveis, tais como:

  • Conseguir conquistar a adesão entusiástica e responsável dos alunos em todas as actividades propostas com elevados índices de motivação
  • Transmitir enormes responsabilidades de intervenção formativa e educativa
  • Criar hábitos de trabalho
  • Manter a disciplina na aula assumida responsavelmente por todos os alunos
  • Ter um domínio ao mais elevado nível do que ensina (conhecimento das matérias) e como ensinar (estratégias a utilizar)
  • Ser leal para a turma, entusiástico e actuar de modo com a personalidade que possui
  • Criar um clima de sucesso reforçando a auto-estima dos seus alunos

No entanto, e como sabemos, no ensino alguns alunos têm sorte, outros... nem tanto.

Francisco Carvalho
Professor de Educação Física